A NARRATIVA DA ESQUERDA: Cientista político vê cenário ideal para reeleição de Lula após ameaça de Trump e desgaste do bolsonarismo

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A recente ameaça do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano provocou uma reconfiguração no tabuleiro político nacional. A avaliação é do cientista político Adriano Oliveira, em entrevista ao programa Passando a Limpo, da Rádio Jornal.
Segundo Oliveira, o cenário eleitoral que até pouco tempo era desfavorável ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou por uma transformação. “Lula já estava derrotado. E de repente tudo mudou”, disse. Para ele, o desgaste da direita bolsonarista e os erros estratégicos de Jair Bolsonaro acabaram favorecendo o atual presidente, que hoje se beneficia do contraste com o radicalismo do seu principal adversário político.
O cientista político observa que a intensificação do discurso de Bolsonaro em defesa de uma anistia, com forte inspiração no trumpismo, contribuiu para devolver protagonismo político a Lula. “Ele [Lula] ganhou um prêmio”, afirmou Oliveira, ao destacar que o ex-presidente colhe agora os frutos da retórica inflamada de seu antecessor.
Outro ponto ressaltado por Oliveira foi o gesto do presidente da Câmara, Hugo Motta, ao derrubar o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Segundo ele, a medida ajudou a reforçar o discurso social de Lula e alimentou sua imagem de defensor dos mais pobres frente aos interesses das elites econômicas.
A ameaça tarifária de Trump, embora ainda no campo das declarações, também pesou na balança. Para Oliveira, ela compõe o que classificou como “conjuntura perfeita” para que Lula reconquiste espaço na disputa pela reeleição. Ainda assim, ele pondera: “Essa conjuntura perfeita trará imediatamente popularidade para o presidente? Eu verifico que não”. A recuperação de sua imagem, segundo o analista, será gradual.
Oliveira também fez críticas aos governadores aliados ao bolsonarismo — Romeu Zema (MG), Tarcísio de Freitas (SP), Ratinho Júnior (PR) e Ronaldo Caiado (GO). Para ele, esses nomes perderam a oportunidade de se descolar de Bolsonaro e construir uma alternativa viável à polarização política. “Ao atacarem Lula e defenderem Bolsonaro, reforçaram o campo radical e fecharam as portas para uma terceira via”, avaliou.
Ao final, o cientista político destacou o uso estratégico da ideia de soberania por parte do presidente Lula: “O presidente Lula, no altar da sua sabedoria, trouxe a discussão da soberania”, concluiu.
Fonte: Programa Passando a Limpo.
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