Política

CONEXÃO NA FLORESTA: Internet em Tribos Indígenas e o Desafio de Preservar Tradições

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A chegada da internet via satélite a tribos indígenas da Amazônia está mudando o cotidiano de comunidades até então isoladas. Com a ajuda do sistema Starlink, de Elon Musk, aldeias como a dos Marubo, no Vale do Javari (AM), agora têm acesso à rede mundial — uma revolução tecnológica que vem acompanhada de debates intensos sobre cultura, identidade e o futuro dos povos originários.

Um novo mundo na palma da mão

Com o sinal de internet, os benefícios são visíveis: jovens indígenas usam smartphones para se comunicar, participar de aulas on-line, acionar ajuda médica e até pilotar drones para fiscalizar suas terras. A tecnologia virou aliada no combate ao desmatamento, à invasão de garimpeiros e na articulação política com o mundo exterior.

> “A gente usa para proteger nossa floresta e mostrar para o mundo o que acontece aqui”, disse um jovem indígena em entrevista à France24.


Mas o que se perde quando tudo se conecta?

O outro lado dessa história é mais delicado. Líderes tradicionais, como anciãos da tribo Marubo, relataram ao IBTimes que os jovens estão passando mais tempo conectados e menos tempo nas atividades que sempre fizeram parte da vida da aldeia — como a caça, a pesca e os rituais comunitários.

A polêmica ganhou os holofotes após uma matéria do New York Times afirmar que a internet estaria sendo usada por adolescentes indígenas para acessar conteúdos impróprios. A comunidade reagiu fortemente e entrou na Justiça por difamação, como noticiou a AP News.

Preservar ou evoluir? A resposta pode estar no equilíbrio

A questão central é: é possível usar a tecnologia sem perder os laços com a ancestralidade? Projetos como o “Indígenas Digitais”, da Universidade Federal do Pará, provam que sim. Eles ensinam os próprios indígenas a usar celulares, câmeras e redes sociais para registrar sua cultura, ensinar sua língua e documentar suas histórias, criando um acervo digital de conhecimento ancestral.

Algumas aldeias já definiram horários para uso da internet e decidiram manter áreas livres de conexão para preservar momentos sagrados e coletivos.

> “Não se trata de escolher entre tradição e modernidade, mas de fazer com que uma fortaleça a outra”, diz a pesquisadora Renata de Oliveira, da UFPA.


Reflexão final

A chegada da internet às tribos indígenas é um símbolo poderoso do nosso tempo. Ela pode ser tanto uma ameaça quanto uma ferramenta de fortalecimento cultural — tudo depende de como ela é usada e por quem.

Mais do que nunca, é hora de ouvir os povos indígenas, respeitar sua autonomia e ajudá-los a construir uma ponte entre o saber ancestral e o mundo digital.


Fontes:

AP News: Marubo processam NYT por difamação

France24: Tecnologia como arma de defesa da floresta

IBTimes: Anciãos denunciam uso excessivo da internet

Fox29: Starlink leva conexão à floresta

CS Monitor: VR indígena e memória cultural

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